A brincadeira começa
em Jardim Carapina e termina aqui. Pauta: Cela de
Container em Presídio Capixaba. Na hora do aperto o estado vende o lixo e a exclusão como possível solução. Depois de uma seqüência de rebeliões no presídio de Viana-ES e alguns homens mortos, as autoridades aceitam mostrar o tal
Container. Chegando no local me senti num campo de concentração. Tudo meio sem cor e com muito arame. Logo conheci o Vovô do Pó. Um senhor de 85 anos (segundo o próprio) que fazia um movimento para complementar o salário mínimo da aposentadoria.
Nada de grandioso, mas o dinheiro ajudava a pagar seus remédios e ainda dava uma força para seus netos. Um dos encarcerados na cela de lata. Foi tudo que me disse, sussurrando com dificuldade. Durante o calor, muito quente e nos poucos dias de frio, muito frio. Um bafo saia pelas “janelas” das celas. Todos detentos reclamando do clima. Eles querem ir para o lado B. Umas poucas celas apertadas na delegacia, que fica no mesmo terreno. Chegando no tal paraíso o cheiro de porra e merda era muito forte.
Mas lá eles podiam fumar e esquentar a marmita azeda.







